sexta-feira, 18 de abril de 2014

CONTEXTUALIZANDO - Onde houve comicidade

Alguns trabalhos realizados e suas propostas cênicas corporais para contextualização de processos de composições percorridos. A "comicidade" também acompanha a trajetória. Posto aqui os vídeos nesse gênero . 

A partir de 2003, depois de um caminho de aulas de canto junto da dança e do teatro, a voz cantada passou a fazer parte do meu trabalho cênico. Em 2010, para decifrar a proposta que trabalhava, nasceu o termo CACOCÊ - Canto Corporâneo Cênico, uma proposta.  Uma maneira de interpretar o canto através de possibilidades corporais vindas do estudo em dança contemporânea e da atuação teatral. O repertório de um trabalho nesta direção é composto por canções trabalhadas em voz e corpo, não se restringindo a nacionalidades, estilos ou épocas.




Show "O Que Deus Fez Tá Feito" com Beth Leivas. Direção: Rosana Brito. 2003 e 2004
"Rap do Cabelo" - criado para o espetáculo "Entre o Silêncio e a Palavra" dirigido por Tuca Pinheiro - Maia Ponta Cia de Dança BH/MG.
O rap foi criado a partir de um momento real de minha vida e fez parte da composição do espetáculo.
"Cabelo partido ao meio
duas tranças em forma de argola
tinha cinco anos...
Minha mãe separava o meu cabelo 
em duas chiquinhas 
bem apertadinhas
com elástico....
Pra garantir que ia ficar
bem esticadinho
ela umedecia o meu cabelo 
escova e penteava
várias vezes até ficar
bem comportadinho...
E com bastante força
ela apertava o elástico nos dentes
e dava um nó...
Um dia o elástico escapuliu...
E aquela juba enorme
a la Maria Bethânia, solta...
Antes que ela prendesse 
meu cabelo novamente
eu saí correndo pela casa
subia e descia as escadas
como jamais havia visto ou sentido...
I feel good, I knew that I would now
I feel good, I knew that I would now
So good, so good, I got you...I feel nice... 
No mesmo show, a canção "Loto do Amor" de Mila Conde. A interpretação foi composta buscando o exagero dramático latino, uma lembrança de voz de Eduardo Duzek. 
O link do vídeo de "Loto do Amor": http://youtu.be/IFcGilWxOAU
A letra:
Truques, tramas, traquinagens,
Fotos, fraudes, provas frágeis
Ai meu Deus para quê
Eu fui gostar de você
Não foi mais que uma ilusão
Você não merece perdão

Bobs, botons, bombons, bobagens,
Você bem me soube
Compar vaidade
Mas derreteu todo glacê
Usted com seu bom português
Também mordi a maçã
Foi tudo promessa vã

Agora você está
Na minha lista negra
Na loto do amor
O que tem mais é zebra
Eu caio fora, o quilômetro zerado
Meu único defeito
Foi o palpite errado

Eu caio fora
Saio dessa por um triz
Meu único defeito
Foi palpite infeliz
Eu sofri dor de amor
Mas ficou mui distante
Já tive alguns casos
Nada importante
Abro a janela, o futuro a minha frente
Quero um homem inteligente, carinhoso e mui caliente

Abro a janela
Meu futuro adiante
Quero um homem interessante
E eu aposto outro volante

"Playmobil" de Mila Conde. A música em si é bem humorada no excesso dramático, uma certa incongruência e a interpretação ampliou o drama. Um pequeno objeto cênico brincando com o desespero da ausência. A letra:
Depois que você sumiu
Eu tentei juntar as peças
Do meu playmobil
De um quebra cabeças
Com motivo infantil
Fiz um quadro cubista ou surrealista
Fragmentou-se em mil
Porque dali não sai sangue
Nem lama de Dalai no mangue
Só sai esse caldo
Me pinta de rojo
No fundo é falso
É finta esse jogo
Depois que você sumiu/Por que é que você sumiu
Cadê, cadê, cadê o meu playmobil?

Meu mundo em pedaços
Tal qual um Picasso
Nem lágrima fica
Na nossa Guernica
Por que é que você sumiu?     

E no humor subentendido, corpo cênico, está "Pra você gostar de mim" de Vital Farias



Em 2008, o brega de Magal foi inspiração na canção americana "I Will Survive". A composição corporal buscou um canto falado em arranjo musical para bolero - o exagero de interpretação e na brincadeira literal com a  própria letra . Alguns dos movimentos foram inspirados  em um vídeo de Magal interpretando uma de suas canções e o final, a lembrança da morte do cisne. Show "O Que Tá Tendo Pra Hoje" - Teatro da Biblioteca BH/MG


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